quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Compromisso ?

Quando os compromissos são estabelecidos? Pergunta um tanto quanto ampla, não? Mas, a questão é, até onde precisamos demonstrar ou registrar nossos compromissos?

Antigamente o namoro era um relacionamento com compromisso somente verbal. O rapaz se declarava, pedia a mão da donzela e, pronto, estão namorando. Hj em dia as coisas ficaram diferentes e parece que as palavras não são mais suficientes. Surgiu a aliança de compromisso. Será que agora o namoro ficou mais sério? Hmmm....acho que não é bem assim...

Não dá pra negar que as coisas mudaram. Como minha mãe mesmo disse: "antes era só se ver um pouquinho à noite de final-de-semana, agora, isso parece mto pouco...". Ela não deixa de estar certa. É evidente que a dinâmica "genérica" das relações mudou bastante. Agora, vem cá, e a aliança? Será que tem alguma coisa a ver com isso?

Aparentemente o namoro ganhou muito mais importância quando o casamento passou a perder prioridade. Com tantas coisas para se fazer, bom, casar nem sempre é uma boa idéia. E, afinal de contas, geralmente dá pra fazer mto daquilo que se faria casado sem concretizá-lo (tirando os evangélicos e "católicos praticantes"). Sendo assim, acho que as pessoas passaram a sentir a necessidade de reforçar o fraco vínculo de namoro com a aliança. Só que isso só entre o casal? Hmmm......é....também parece q ñ.

A aliança serve pra mostrar pra todos o que é seu, é uma forma de marcar território, de mostrar pra todos que aquilo ali tem dono e ninguém tasca. É evidente que as coisas não funcionam bem assim, e curiosamente, muitas vezes parece que o efeito é contrário. Quem nunca ouviu uma insinuação de que botou a aliança e a mulherada cai em cima? Por falta de experiência não posso afirmar que seja assim, mas será que é porque já vem com certificado de garantia? Também acho que não, acho mais provável que seja uma simples relação de poder mesmo, de tirar um objeto de valor do outro, de se provar melhor que o "oficial", enfim, deixa para os psicólogos...

Entre o casal, será que essa é uma forma de garantir o cumprimento do contrato? E o que aconteceu com a palavra? Essa história de que contrato verbal também ter efeito legal, pelo menos aqui no Brasil, é visto como balela. Numa sociedade, principalmente no nosso país, onde o que se diz nem sempre deve ser levado muito a sério parece normal que algo só se torne oficial quando temos o registro, a xerox autenticada e, claro, a firma reconhecida!

Paradoxalmente, às vezes parece que o feitiço se volta contra o feiticeiro. É como se agora q a não-oficial se oficializou, well, vamos voltar às traquinagens. Afinal de contas, o negócio é aproveitar a vida! Eu costumava dizer que as leis só existem porque as pessoas não as cumprem, se as cumprissem elas seriam desnecessárias. Será que analogamente podemos dizer a mesma coisa da aliança de compromisso?

E, afinal de contas, a aliança tem um outro fim além do compromisso ? Qual ?

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Ride to the Metal land - part. 3

Às 7hs. da manhã aquela barraca já estava insuportável de quente. O jeito é pular fora e ir tomar um banhinho, que valeu só no diminutivo mesmo, mas deu pra tirar a nhaca. Lanche, um pouco de conversa e estava na hora do metal! Sem dúvida este era o dia que mais prometia, era um show melhor que o outro.

Chegamos à área do festival e já estava tocando a segunda banda: Mortal Sin. Até que era um som legal, mas era a hora para aproveitar e
dar um pulo nas lojas, Metal Market, etc. Pra mim, nada de mto interessante, e depois vamos ao Wet Stage para um pouco de "lab hearing". Assistimos às bandas da Alemanha, Itália e Lituânia, essa última realmente tinha um som bem legal e foi muito elogiada. Encontramos mais um pessoal e vamos ver o Ensiferum. Banda surpreendente, um viking metal bem legal e um show muito bom! Detalhe para a tecladista competentíssima e todos os homens da banda com saias com a bandeira da Finlândia desenhada....

Bom, a esta altura do campeonato já estava chovendo, e no palco principal iria começar a primeira das bandas que eu mais queria ver: Kamelot! É bem verdade que o vocalista parece um pouco o Zezé di Camargo cantando, mas a banda executa mto bem todas as músicas. Depois da primeira que eu acho que era "Rule the World" vem a que eu mais esperava "When the Lights Are Down"! Pra variar, só dava eu cantando...hehe. O show continuou mto bom, destaque para a backing vocal da banda e a presença de Simone Simons em "The Hauting". Primeiro lugar pro Kamelot no quesito show mais belo :). Eles fecharam o show com uma execução primorosa de "March of Mephisto" com a participação de um brother com mó cabelão...ñ sei quem é......

Depois deles, os próximos a pisar neste palco seriam ninguém menos que os homens do gelo do Sonata Arctica e seu "metal gelinho", então era hora do rango. Nem sei bem pq, mas me separei do Chicão, e decidi assistir ao show do Sonata mais à frente. Final do Soilwork e vamos a eles. Lá na frente o pessoal canta um pouquinho, o que foi legal. Por outro lado, o pessoal lá tem muito o costume de ficar passando por cima do público sendo carregado, e definitivamente isso atrapalha bastante de assistir ao show. O curioso disso é que já havíamos reparado como o público alemão é notoriamente mais sossegado, e é interessante como todo mundo entra nessa brincadeira e sempre protege quem está por cima. É uma lição de respeito mto interessante. Voltando ao Sonata, eles fizeram um show mto bom, produção excelente pra variar, umas pirotecnias pra dar a graça (no Kamelot tbm teve), mas o mais legal foi reservado para o setlist: Replica (chupa essa Long)! Por essa eu não esperava.....e eu já estava acostumado com a alemãozada me olhando porque eu tô cantando, então manda bronca! :). Como sempre o Sonata é um desfile de clássicos e uma música melhor que a outra.

Bom, depois deles, mais uma boa descansada, um lanchinho e eu bem que tentei, mas acabei indo ver o Chidren of Bodom bem de longe sentadão. Eu já estava bem cansado e, enfim, mais tarde tinha o Avantasia e eu não queria estar quebrado. Alex Laiho é um grande frontman e o Children é uma banda mto competente. Show rédibenzi sem dúvida! Depois, nem lembro como eu reencontro o Chicão, e vemos no telão uma orquestra se arrumando. Na hora pensei: caralho! o Avantasia vai tocar com uma orquestra?! Infelizmente, não era pra tanto :(....era o Corvus Corax uma verdadeira orquestra de "heavy classic"...hehe. Música clássica em pleno WOA, quem imaginaria! Foi um show mto legal, com mtos efeitos e um viés dramaturgico bem interessante.

E já tava na horas da grande atração: Avantasia! No palco o que d
ava pra ver era uma infinidade de refletores para as luzes do show, ele prometia! Começaram com "Twisted Mind" como era de se esperar, e um Tobias alucinado pula que nem louco no palco! Depois dela, "The Scarecrow"....juro que com aquele som a música estava sensacional! Aí, surge no palco ninguém menos que Jorn Lande (com quem eu já havia tirado uma foto no dia anterior). Nessa hora, Chicão já estava doido esperando o cara cantar! Então, ele prepara o gogó, posta o microfone e......nada! No palco podíamos ver um Jorn se esganiçando, mas não conseguíamos ouvir nada da voz dele. NADA! Quem já me viu puto da vida deve saber como eu fiquei na hora. O pior é que a banda devia estar com retorno, pq eles não perceberam, e foram, se não me engano, 3 músicas de Jorn Lande cantando só pra banda! TRÊS! O pior é que ele tentou conversar com o público e claro ninguém respondeu....coitado, pensou que o público não gostava mto dele.

Pelo menos pudemos ouvir um pouco de Jorn, pq finalmente consertaram o negócio. Mas, sem a menor dúvida, o show já estava prejudicado. Claro, em todo o resto (do tempo) o show foi bem legal. Mesmo com mais algumas falhinhas nos microfones e uma confusão em "Sign of the Cross" devido à presença de Rudolf Schenker, que certamente não tinha ensaiado com eles, mas o show foi bem legal. Ajudado pela presença de Bob Catley que deu um tom diferente em algumas músicas, e apesar do setlist igualzinho ao do Brasil. Enfim, eu estava em Wacken e, querendo ou não, era um showzaço com uma puta produção!

Depois disso tudo ainda tinha os noruegueses do Gorgoroth. Que, com efeito, fizeram um verdadeiro inferno no palco, tanto no visual como no som. Bom, é pra quem gosta, mas foi curioso. De qquer maneira, decidimos ir dormir antes do fim do show, e chegando ao acampamento minha barraca está semi-derrubada...que ótimo! Levantamos-na e eu vou dormir ao som de Gorgoroth e morrendo de medo da barraca cair. Não é a melhor maneira de dormir mas, enfim, tá no inferno, abraça o capeta! Dia seguinte, o melhor ainda estava por vir....

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Ride to the Metal land - part. 2

Essa viagem me serviu para uma série de coisas, e uma delas foi para perceber que eu não sou um "headbanger" (ou metalhead) por completo. Isso vale um outro post, mas de qualquer maneira, eu pude perceber como o heavy metal é uma paixão (mais que legítima) em muita gente, e como a cultura que envolve a música é importante. Eu, de certa forma, me empatizo bastante com a cultura e, claro, uma parte da música. Mas, sem dúvida, eu não sou um grande fã nem do som, sem levar em conta sub-gêneros ou bandas específicas, ou mesmo do estilo (de vestir, etc).

Anyway, Wacken, pelo menos no período d
o festival, é uma cidade inteira que encarna essa cultura e adota centenas de metalheads de todo o mundo. Desde boas-vindas na entrada, placas indicativas "contextualizadas" ao comércio com chamadas no estilo, a cidade se veste do espírito do festival e entra na brincadeira.

Chegamos na manhã de sexta-feira à cidade, probleminhas com o ônibus e a bagagem e tdo bem. Vamos ao acampamento, acha um canto e monta a barraca! Eu já esperava que essa não fosse uma tarefa mto simples, mas até que foi mais sussa do que eu pensei. Barraca montada, é hora de começar a metaleiragem!

Após dar uma olhada no ambiente do "solo sagrado" vamos ao Wet Stage, que não tinha esse nome à toa já que o chão era todo de cerrado e uma lama que parecia de um curral. Bom, vamos lá assistir ao Threat, vencedora do metal battle (concurso de bandas que teve sua fase final no festival), que havia viajado conosco. Foi um show legal, apesar das críticas ao estilo ser meio "new metal". Eu, não vejo problema, acho até legal um som meio diferente.

Bom, nessa encontramos nossa amiga Helena que nos guiou para uma volta pela cidade....e que volta! Foi então que pudemos ver todo o espírito que tomou a cidade. Cidade que por sinal é um barato. Só casinhas com telhado em V, frentes bonitinhas com flores e tudo o mais. Só vi uma igreja (e acho que é a única), e acho que andamos praticamente por toda a área urbana da cidade. Uma cerveja em uma cervejaria bem estilosa e va
mos para o que interessa: Iron Maiden! E é hora de falar da produção dos shows. Sem dúvida a melhor que eu já vi na vida disparado! Um telão que parece DVD (sem brincadeira) e uma produção de palco digna do U2. Isso fruto tbm dos dois palcos, que possibilitavam um intervalo entre bandas de 15 minutos. É metal na cabeça sem parar!

Bom, voltando ao Iron Maiden, na hora que foi começar o show aquele negócio encheu pra cacete, era gente saindo pelo ladrão. E aí, em meio a este monte de gente, aquela apreensão de começo de show e eu esperando que quando o show começasse o lugar ia virar uma loucura com todo mundo cantando. E qual a minha surpresa que aos primeiros versos de Aces High só dava eu e o Chicão cantando!? Ninguém canta, é impressionante! Um puta público doido pra ver a banda, e o show começa e fica todo mundo quieto!? Bom, eu me acostumaria com isso. O resto do show do Iron foi conforme o esperado, o mesmo setlist do Brasil com a mesma competência que já sabemos como é. Sem dúvida uma produção sensacional e um show impecável, apesar de burocrático.

Bom, fim do Iron, hora de descansar, certo? Nem tanto, dormir na barraca lá não é lá mto descanso, mas enfim, eu não podia me cansar mto. Afinal de contas, ainda tinham mais dois dias de festival...

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Ride to the Metal Land - part. 1

Aos que não sabem nesta última semana de julho e início de agosto fui à Alemanha com destino ao Wacken Open Air, festival de heavy metal que acontece anualmente na cidade de Wacken, que fica no norte do país.

Após atraso de uma hora no vôo para Lisboa (o que é até pouco) levantamos vôo para uma viagem de 9 horas às 18hs do dia 28/07 (horário de Brasília) na classe econômica...dá-
lhe aperto!! Chegamos ao aeroporto de Lisboa e uma fila imensa para fazer a entrada no país, e como já tinhamos nos atrasado, quase perdemos o vôo para Hamburgo. Começamos bem na Europa, porque além de ficar um tempo na fila nós a furamos, já que pedimos para nos adiantarem senão perderíamos nosso vôo....brasileiro é foda....hehe

Tudo certo, pegamos um avião bem menor com destino a Hamburgo. Algumas "barbeiragens" do comandante Miguel que deixaram alguns com o c** na mão e eu com o estômago revirando, mas no final das contas, tdo bem. Busão básico para o hotel, banhão e tínhamos o resto d
a terça-feira e a quarta livres na segunda maior cidade da Alemanha. O que fazer então? Andar!

Eu e meu colega Francisco saímos para um rolê na cidade (e dá-lhe rolê). E o que nós vimos foi uma cidade planejada. Com oferta de transporte público para todo o lado e aparentemente com um ótimo equilíbrio entre todas as alternativas: ônibus, metrô e trem. Porém o mais legal é o valor que é dado às bicicletas. TODAS as ruas têm ciclovia, e "ai" de quem fica andando nelas. Toma buzinada e é capaz de levar um encontrão e um belo de um xingo (em alemão, claro!). Além das ciclovias têm sinalização especifica e chegamos a ver até túnel próprio! O curioso é que falando assim parece que eles não têm carros, mas o que vimos foi um desfile de Mercedes, BMW, e todo carrão que imaginar, muitos conversíveis e o mais curioso, ficam estacionados na rua!

Nada de prédios com porteiros e "condomínios cidade", todos es
peram o sinal para atravessar e todos os carros tbm sempre esperam o pedestre finalizar a travessia para seguir. Isso tudo não significa que a cidade é uma maravilha, mendigos e pixações têm em alguns lugares, apesar de em bem menor quantidade que aqui em São Paulo.

O destaque da cidade sem dúvida são as igrejas. Na falta de prédios arranha-céu no estilo Av. Paulista quem toma o espaço são as imensas torres das várias igrejas da cidade. E quando eu digo imensa não é hipérbole, elas são imensas mesmo. Pudemos até subir na torre da igreja de St. Nikolai, a uma altura de 75m. Dá uma visão panorâmica excelente da cidade. Devemos ter andado mais de 15km. e certamente vimos mais de 5 igrejas. Os rios são outra beleza, já que vários pequenos afluentes do Elba cortam a cidade, com destaque para o próprio e o porto, além de um grande lago que têm em frente a praça central com a prefeitura da cidade. Tudo com muito verde, esculturas e construções no estilo antigo.

À noite a cidade continua muito bonita, com áreas bem iluminadas e apinhadas de gente. Mesmo em dias de semana os barzinhos ficam cheios em qualquer lugar que se vá. Com suas 2 horas de horário de verão, o sol só se põe por volta das 22hs., e os alemães apŕoveitam seu verão até o fim. Naturalmente regado a muita cerveja, que ao nosso gosto é bem quente, e as famosas salsichas e linguiças.

Se vc for para lá, não deixe de tomar uma cerveja em alguns dos bares à beira do rio, que além de ser com um tempo muito agradável e um visual muito bonito, é uma boa oportunidade de ver muita gente e até de trocar uma idéia com alguém. E se quiser fazer isso, basta fazer menção ao futebol. Se tem uma paixão do povo de Hamburgo é o futebol e seu clube o St. Pauli, clube da 2a. divisão, mas dizer que o futebol brasileiro é melhor que o alemão pode deixá-los furiosos!
Sem dúvida Hamburgo além de ser muito bonita, é uma cidade que dá certo em muitos aspectos. O povo é em geral solidário e atencioso, e as mulheres, bem, essas não deixam nada a desejar a nenhum lugar que já estive. Sem dúvida foram dois dias bem legais e suficientes para conhecer muita coisa dessa cidade que tem belezas e curiosidades de sobra. Mas o que realmente importava ainda estava por vir...the Holy Metal Land nos aguardava!!!

sábado, 14 de junho de 2008

[The best albums] - 1o. Avantasia - part I

O que aconteceria se fizessem um time com Pelé, Maradona, Puskas, Gordon Banks, DiStefano, Garrincha, Zico, etc? É difícil não achar que seria uma goleada atrás da outra! Pois é, goleada é pouco pra descrever os resultados desse projeto de Tobias Sammet. Esse trabalho é um dos poucos que têm o direito de afirmar-se épico!

E não são só as estrelas que fazem esse álbum ser tão bom. Até porque, nesse quesito Arjen Lucassen foi até mais longe com seu Universal Migrator do Ayreon. O fato é que além de reunir cantores e músicos de ponta, Tobias pôs em prática um projeto músico-filosófico que une o que tem de mais legítimo ao se produzir uma obra de arte. Pode até ser que hj o próprio não considere tão bom assim o que ele mesmo fez, ou que não tenha as mesmas motivações filosóficas que o levaram a este trabalho. Porém, essa "gana" que na época ele tinha pelo sua própria obra, sem dúvida se refletiu em composições que marcaram época e ficaram registradas como modelos do metal melódico, quase que de certa forma encerrando um ciclo dessa forma de fazer música (de certa forma, esse modelo à la Helloween minguou um pouco, curiosamente após os Avantasias).

Após pressionar o
play, Prelude inicia apresentando uma das melodias mais marcantes da cena metálica. É a melodia de Reach Out for the Light, que entra rasgando com uma guitarra em solo magistral, provavelmente de Henjo Richter. Depois em ritmo forte Tobias entra cantando até o bridge em coro. Aí, no refrão muda a voz e quem entra em cena é Michael Kiske. Cara, que incrível! Um dos melhores trechos de Kiske, que combina agressividade e leveza em um refrão de tom altíssimo e ao mesmo tempo soft. Essa música é um fenômeno, reconhecido pelo próprio Tobias atualmente.

Depois, em
Serpents in the Paradise, David DeFels e Sammet fazem um dueto de tirar o fôlego. Uma visão interessantíssima de Sammet, através da discussão de dois personagens centrais da história. A bateria é destaque nas mãos de Alex Holzwarth. Malleus Maleficarum é só pra dar um clima para Breaking Away que é uma música bem legal com um refrão que fica na cabeça. Apesar disso, é a "piorzinha" do álbum. Em Farewell, Gabriel (Tobias Sammet) diz adeus a sua irmã (Sharon den Adel), mais um dueto excelente e um refrão em coro que dá vontade de não parar de cantar. Uma balada de respeito como muito poucas. Então, o bicho pega em Glory of Rome em que Rob Rock, Oliver Hartmann e Ralf Zdiarstek tomam lugar para apresentar os personagens da "oposição". Ritmo alucinante, alternância perfeita e um refrão muito legal. É metal na veia com esses vocalista com um estilo mais tradicional.

In Nomini Patris introduz a faixa-título: Avantasia! Eu não sei de onde Tobias tirou a introdução dessa música que não parece com nada. Só sei que é muito bom. Música que carrega a expressa a descoberta do personagem com maestria. Um dueto sensacional de Tobias e Kiske, que entra na hora certíssima. E o refrão? Não tem como não dizer que é um dos mais marcantes e reconhecidos do metal moderno. Sem dúvida essa é uma canção que vai imortalizar Tobias Sammet por muito tempo. A New Dimension é mais uma introdução que sintetiza bem o sentimento do protagonista neste ato. Então, André Mattos (ou simplesmente Dedé) surge cantando em Inside. E quem faz o dueto com ele dessa vez? Ninguém menos que Kai Hansen. Ótimas escolhas para seus personagens, um elfo e um anão respectivamente, que apresentam a Gabriel o novo mundo em que ele acaba de entrar. É talvez mais uma balada que é quase uma capela. Uma graaande música, com muito bom-senso na escolha dos cantores, melodia muito legal e um ritmo mais que adequado ao momento.

Após a calmaria de
Inside o bicho pega com Sign of The Cross. Os teclados (a cargo do próprio Tobias) são um show a parte, em uma música com uma participação primorosa de Oliver Hartmann. Um bridge que é um grande slow down com Mr. Dedé e mais um refrão para os anais da história em um coro que é pra cantar todas as vezes com as mãos para o ar. Então, novamente os teclados dão o tom para The Tower. Puta que pariu e que começo! Nessa música quase todos participam principalmente no coro "Hallelujah!". Grandes participações (principalmente de M. Kiske) e mais um refrão sensacional. Eu não me canso de ouvir e me surpreender com essa canção que acaba (na versão original) esse álbum com maestria.

Pois é. É muito difícil resumir em palavras músicas tão boas e tão marcantes como as que Tobias trouxe neste trabalho. Praticamente todas teriam potencial a ser clássico em qualquer álbum de qualquer banda. É uma síntese (completa em termos qualitativos) de tudo o que o metal melódico tem em termos de arranjos, harmonia, estilos de canto, solos, etc. Uma crítica? A capa é meio estranha, e só. De resto, é o melhor, do melhor pelos melhores.


Avantasia!


PS: A data em que escrevi este texto não é a toa. Exatamento 8 dias antes da primeira, e muito provavelmente única, apresentação do Avantasia em São Paulo. Sem dúvida, há de ser um dia histórico!

PS2: O Avantasia part II ainda reservava mais uma música épica. A primeira, The Seven Angels merece ser lembrada, porque sem dúvida é mais um grande fenômeno que Tobias fez sob o nome de Avantasia. O resto é bem legal, mas não chega nem perto da genialidade das músicas aqui descritas e dessa que com efeito pode ser considerada uma das melhores (se não, a melhor) músicas que já ouvi na vida.


PS3; É isso, chega! Quem sabe depois eu falo dos dez piores? hehehe...

terça-feira, 10 de junho de 2008

[The best albums] - O que faltou ?

Essa lista de melhores álbuns não foi fácil de produzir. Por mais que alguns álbuns por aí se destaquem, tem muita coisa boa mundo afora, e é de certa forma triste deixar algumas coisas de fora. Também, não é o fato de uma banda não estar na lista que necessariamente ela é pior que outras que estejam. Até porque, muitas bandas fazem músicas excelentes, mas que estão espalhadas entre os vários álbuns, e nenhum deles tem uma concentração muito significativa.

Exemplo disso é o Iron Maiden, que tem um trabalho excelente em vários álbuns, e apesar de ter alguns destaques como Seventh Son of a Seventh Son e o Fear of the Dark, ainda assim esses estiveram um pouco longe dessa lista. Quem esteve perto foi o Sonata Arctica! Caras, que banda! Esses, fizeram grandes trabalhos que eu fiquei bem triste de não incluir como o recente Unia, o genial Reckoning Night e o extremamente baladeiro mas com "pancadas" históricas: Winterheart's Guild.

E o que dizer então do Edguy e seus Mandrake e Hellfire Club, que sem dúvida nenhuma, alavancaram a banda com músicas para vários gostos. Isso sem citar o EP Superheroes, que com certeza só não está aqui porque não é álbum. Se eles colocassem umas duas musiquinhas a mais e o promovessem a álbum, certamente pintaria no top five (ouvindo agora Spookies in the Attics....do caralho!).

Não posso me esquecer do apoteótico Manowar e seu Kings of Metal, que sem dúvida mereceria também aparecer por aqui. O Nightwish e o seu já mencionado Dark Passion Play ou mesmo os históricos Wishmaster e Once. Outro que chegou bem perto foi o injustiçado e incompreendido Stairway to Fairyland do Freedom Call. Muito se engana aquele que acha que é um álbum de power metal pasteurizado. É sim uma fórmula única que eles encontraram e que concretizaram com músicas geninais como We are One, Graceland, Shine On e Over the Rainbow.

Alguns álbuns de bandas que estiveram por aqui também fizeram falta e chegaram perto: Razamanaz (Nazareth), Better than Raw (Helloween), Rebirth, Fireworks e Angels Cry (Angra), Nightfall in middle earth e A night at the Opera (Blind Guardian), Land of the Free e Power Plant (Gamma Ray), Dawn of Victory e Power of the Dragonflame (Rhapsody). Todos recheados de clássicos e músicas que fazem chorar, levam ao êxtase ou simplesmente fazem pensar.

Já ouvi dizer que a música é a arte invejada por todas as outras, e eu acho que isso faz muito sentido. A música tem um poder espiritual, transformador, comunicativo e expressivo imenso. É uma arte que tem a incrível capacidade de se reinventar, de se combinar e evoluir com o tempo. E a música popular tem mostrado que tem muita coisa boa nova pra se ouvir, que falam pro espírito e para o corpo, sem passar pelo crivo da crítica enjoada e presa no século passado ou retrasado. A despeito da crescente e nostálgica retórica de que só se fazia música boa antigamente, que as músicas de hoje são só imitações das de antigamente, ou também do pseudo-intelectualismo (a lá Veja) de que a música só é passível de análises exatas, matemáticas e frias para determinar sua qualidade.

É claro que pra mim o negócio é power metal. A Veja, o Bóris Casoy, o presidente, o papa, qualquer um pode falar que isso é ruim que eu não me importo. Esse tipo de música tem a rara capacidade de tornar minha vida melhor e eu sou muito grato a todos aqueles que com muito mais do que bom senso e técnica conseguem produzir arte que tem tamanho poder transformador. Pode até ser que eu deixe de gostar desse tipo de música, que a produção realmente diminua de qualidade. Porém, eu estou certo de que os estilos, as bandas, o mercado e o mundo se transformarão e continuarão a combinar sons e falar de alma para alma, e certamente continuar a tornar melhor a vida de muita gente, e a minha também.

Well...soon will come the first one!

Os mestres em ação: Judas at the Opera! (Se puder, preste atenção na letra...)

sábado, 24 de maio de 2008

[The best albums] - 2º Imaginations from the other side (Blind Guardian)

A despeito de toda a crítica em torno da temática baseada em histórias de fantasia medieval das bandas de power metal, eu acho que esses temas fornecem material muito rico para a música. O Blind Guardian não só é a banda que leva isso mais a sério como também foi praticamente a pioneira a trazer nas letras de suas músicas temas de histórias conhecidas. O resultado desse pioneirismo é um estilo de música singular, peculiar à banda, que ao longo do tempo teve grande evolução e encontrou o seu ápice nesse lançamento de 1995.

Em Imaginations from the other side a banda decidiu celebrar sua maturidade musical com uma reflexão exatamente sobre isso: a influência e o valor de histórias de fantasia em suas vidas. E a fórmula para isso foi homenagear as principais e mais marcantes histórias da literatura. Tudo isso sintetizado magistralmente na faixa-título que inicia o álbum. Peter Pan, O Senhor dos Anéis, Rei Arthur e os Cavaleiros da távola redonda, Alice no País das Maravilhas entre outras histórias são citadas pra demonstrar o quanto personagens tão ricos ficam marcados em nossas mentes, mesmo depois de acabarmos de acompanhar suas sagas. É uma canção que mais do que falar sobre isso, encarna o espírito daquilo que é cantado insanamente por Hansi Kursch. Muitos backing vocals, ritmos lentos e mais rápidos alternados e um refrão pra cantar com os punhos erguidos.

I'm alive dá seqüência com um estilão mais às antigas. Bumbo duplo, "mão na caixa" em um ritmo alucinante. Essa música apresenta duas características que são marcantes e muito específicas no Blind Guardian. Uma quebrada de ritmo no bridge que é sensacional, e um refrão quase interminável que vai se "alargando". E olha que essa é uma das "piorzinhas" do álbum. A past and future secret é mais uma daquelas canções, também peculiares ao BG, que é feita para os bardos canterem nas tavernas. Velas ao vento em uma canção muito bonita, provavelmente contando algo sobre a história de Kamelot.

Então, eles decidem falar mais um pouco dessa história, sob uma ótica mais "real". The script for my réquiem é provavelmente a melhor música do BG, em uma performance apoteótica de Hansi Kursch no vocal. Um ritmo alucinante e um refrão inesquecível e marcante. Eu tinha uma idéia equivocada sobre a letra dessa música. Aparentemente é a visão dos cruzados em busca do santo graal, descrita de uma forma bastante espiritualizada.

Falei em personagens ricos? Modred, nascido do seio de um amor impossível, entre inveja e ódio. Tem que ser muito bom para fazer uma canção digna desse personagem. Eles conseguem a proeza, em uma balada com um refrão "de chorar": Modred's Song.

Born in a mourning hall
é mais uma pancada, extremamente rápida, bateria e guitarras inspiradas. Bright Eyes fala (provavelmente) novamente sobre Modred. É também muito bonita e carregada de feeling, e, apesar disto, ainda se junta a I'm alive como uma das "fraquinhas". Em Another Holy War eles decidem falar sobre o fanatismo religioso. Aquele tipo de música rápida, que consegue um efeito que eu só vejo no power metal. Que é uma bateria tão rápida, que ela fica como um tapete (ou um pano de fundo) para a melodia, que desfila em cima da bateria "mão na caixa". Quebrada no refrão, backing vocals e tudo que uma música do BG merece.

Sabe aquela sensação de quando vc acabou de acompanhar uma história muito boa? Quando dá vontade de esquecer tudo q vc leu e começar a ler de novo? Pois é, eles conseguiram "enfiar" isso em uma música, que me dá arrepio só de pensar. And the Story Ends é uma obra-prima que fala sobre o aparente fim das histórias, do álbum, de coisas boas na vida. É indescritível e um final primoroso para esse grande trabalho.

Um álbum que consegue primorosamente encarnar um dos sentimentos mais legais na vida, não poderia dar em outra: 2º lugar pra ele! Obra obrigatória para qualquer amante do heavy metal e de histórias de fantasia medieval.

And the Story Ends...