terça-feira, 12 de agosto de 2008

Ride to the Metal land - part. 2

Essa viagem me serviu para uma série de coisas, e uma delas foi para perceber que eu não sou um "headbanger" (ou metalhead) por completo. Isso vale um outro post, mas de qualquer maneira, eu pude perceber como o heavy metal é uma paixão (mais que legítima) em muita gente, e como a cultura que envolve a música é importante. Eu, de certa forma, me empatizo bastante com a cultura e, claro, uma parte da música. Mas, sem dúvida, eu não sou um grande fã nem do som, sem levar em conta sub-gêneros ou bandas específicas, ou mesmo do estilo (de vestir, etc).

Anyway, Wacken, pelo menos no período d
o festival, é uma cidade inteira que encarna essa cultura e adota centenas de metalheads de todo o mundo. Desde boas-vindas na entrada, placas indicativas "contextualizadas" ao comércio com chamadas no estilo, a cidade se veste do espírito do festival e entra na brincadeira.

Chegamos na manhã de sexta-feira à cidade, probleminhas com o ônibus e a bagagem e tdo bem. Vamos ao acampamento, acha um canto e monta a barraca! Eu já esperava que essa não fosse uma tarefa mto simples, mas até que foi mais sussa do que eu pensei. Barraca montada, é hora de começar a metaleiragem!

Após dar uma olhada no ambiente do "solo sagrado" vamos ao Wet Stage, que não tinha esse nome à toa já que o chão era todo de cerrado e uma lama que parecia de um curral. Bom, vamos lá assistir ao Threat, vencedora do metal battle (concurso de bandas que teve sua fase final no festival), que havia viajado conosco. Foi um show legal, apesar das críticas ao estilo ser meio "new metal". Eu, não vejo problema, acho até legal um som meio diferente.

Bom, nessa encontramos nossa amiga Helena que nos guiou para uma volta pela cidade....e que volta! Foi então que pudemos ver todo o espírito que tomou a cidade. Cidade que por sinal é um barato. Só casinhas com telhado em V, frentes bonitinhas com flores e tudo o mais. Só vi uma igreja (e acho que é a única), e acho que andamos praticamente por toda a área urbana da cidade. Uma cerveja em uma cervejaria bem estilosa e va
mos para o que interessa: Iron Maiden! E é hora de falar da produção dos shows. Sem dúvida a melhor que eu já vi na vida disparado! Um telão que parece DVD (sem brincadeira) e uma produção de palco digna do U2. Isso fruto tbm dos dois palcos, que possibilitavam um intervalo entre bandas de 15 minutos. É metal na cabeça sem parar!

Bom, voltando ao Iron Maiden, na hora que foi começar o show aquele negócio encheu pra cacete, era gente saindo pelo ladrão. E aí, em meio a este monte de gente, aquela apreensão de começo de show e eu esperando que quando o show começasse o lugar ia virar uma loucura com todo mundo cantando. E qual a minha surpresa que aos primeiros versos de Aces High só dava eu e o Chicão cantando!? Ninguém canta, é impressionante! Um puta público doido pra ver a banda, e o show começa e fica todo mundo quieto!? Bom, eu me acostumaria com isso. O resto do show do Iron foi conforme o esperado, o mesmo setlist do Brasil com a mesma competência que já sabemos como é. Sem dúvida uma produção sensacional e um show impecável, apesar de burocrático.

Bom, fim do Iron, hora de descansar, certo? Nem tanto, dormir na barraca lá não é lá mto descanso, mas enfim, eu não podia me cansar mto. Afinal de contas, ainda tinham mais dois dias de festival...

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Ride to the Metal Land - part. 1

Aos que não sabem nesta última semana de julho e início de agosto fui à Alemanha com destino ao Wacken Open Air, festival de heavy metal que acontece anualmente na cidade de Wacken, que fica no norte do país.

Após atraso de uma hora no vôo para Lisboa (o que é até pouco) levantamos vôo para uma viagem de 9 horas às 18hs do dia 28/07 (horário de Brasília) na classe econômica...dá-
lhe aperto!! Chegamos ao aeroporto de Lisboa e uma fila imensa para fazer a entrada no país, e como já tinhamos nos atrasado, quase perdemos o vôo para Hamburgo. Começamos bem na Europa, porque além de ficar um tempo na fila nós a furamos, já que pedimos para nos adiantarem senão perderíamos nosso vôo....brasileiro é foda....hehe

Tudo certo, pegamos um avião bem menor com destino a Hamburgo. Algumas "barbeiragens" do comandante Miguel que deixaram alguns com o c** na mão e eu com o estômago revirando, mas no final das contas, tdo bem. Busão básico para o hotel, banhão e tínhamos o resto d
a terça-feira e a quarta livres na segunda maior cidade da Alemanha. O que fazer então? Andar!

Eu e meu colega Francisco saímos para um rolê na cidade (e dá-lhe rolê). E o que nós vimos foi uma cidade planejada. Com oferta de transporte público para todo o lado e aparentemente com um ótimo equilíbrio entre todas as alternativas: ônibus, metrô e trem. Porém o mais legal é o valor que é dado às bicicletas. TODAS as ruas têm ciclovia, e "ai" de quem fica andando nelas. Toma buzinada e é capaz de levar um encontrão e um belo de um xingo (em alemão, claro!). Além das ciclovias têm sinalização especifica e chegamos a ver até túnel próprio! O curioso é que falando assim parece que eles não têm carros, mas o que vimos foi um desfile de Mercedes, BMW, e todo carrão que imaginar, muitos conversíveis e o mais curioso, ficam estacionados na rua!

Nada de prédios com porteiros e "condomínios cidade", todos es
peram o sinal para atravessar e todos os carros tbm sempre esperam o pedestre finalizar a travessia para seguir. Isso tudo não significa que a cidade é uma maravilha, mendigos e pixações têm em alguns lugares, apesar de em bem menor quantidade que aqui em São Paulo.

O destaque da cidade sem dúvida são as igrejas. Na falta de prédios arranha-céu no estilo Av. Paulista quem toma o espaço são as imensas torres das várias igrejas da cidade. E quando eu digo imensa não é hipérbole, elas são imensas mesmo. Pudemos até subir na torre da igreja de St. Nikolai, a uma altura de 75m. Dá uma visão panorâmica excelente da cidade. Devemos ter andado mais de 15km. e certamente vimos mais de 5 igrejas. Os rios são outra beleza, já que vários pequenos afluentes do Elba cortam a cidade, com destaque para o próprio e o porto, além de um grande lago que têm em frente a praça central com a prefeitura da cidade. Tudo com muito verde, esculturas e construções no estilo antigo.

À noite a cidade continua muito bonita, com áreas bem iluminadas e apinhadas de gente. Mesmo em dias de semana os barzinhos ficam cheios em qualquer lugar que se vá. Com suas 2 horas de horário de verão, o sol só se põe por volta das 22hs., e os alemães apŕoveitam seu verão até o fim. Naturalmente regado a muita cerveja, que ao nosso gosto é bem quente, e as famosas salsichas e linguiças.

Se vc for para lá, não deixe de tomar uma cerveja em alguns dos bares à beira do rio, que além de ser com um tempo muito agradável e um visual muito bonito, é uma boa oportunidade de ver muita gente e até de trocar uma idéia com alguém. E se quiser fazer isso, basta fazer menção ao futebol. Se tem uma paixão do povo de Hamburgo é o futebol e seu clube o St. Pauli, clube da 2a. divisão, mas dizer que o futebol brasileiro é melhor que o alemão pode deixá-los furiosos!
Sem dúvida Hamburgo além de ser muito bonita, é uma cidade que dá certo em muitos aspectos. O povo é em geral solidário e atencioso, e as mulheres, bem, essas não deixam nada a desejar a nenhum lugar que já estive. Sem dúvida foram dois dias bem legais e suficientes para conhecer muita coisa dessa cidade que tem belezas e curiosidades de sobra. Mas o que realmente importava ainda estava por vir...the Holy Metal Land nos aguardava!!!

sábado, 14 de junho de 2008

[The best albums] - 1o. Avantasia - part I

O que aconteceria se fizessem um time com Pelé, Maradona, Puskas, Gordon Banks, DiStefano, Garrincha, Zico, etc? É difícil não achar que seria uma goleada atrás da outra! Pois é, goleada é pouco pra descrever os resultados desse projeto de Tobias Sammet. Esse trabalho é um dos poucos que têm o direito de afirmar-se épico!

E não são só as estrelas que fazem esse álbum ser tão bom. Até porque, nesse quesito Arjen Lucassen foi até mais longe com seu Universal Migrator do Ayreon. O fato é que além de reunir cantores e músicos de ponta, Tobias pôs em prática um projeto músico-filosófico que une o que tem de mais legítimo ao se produzir uma obra de arte. Pode até ser que hj o próprio não considere tão bom assim o que ele mesmo fez, ou que não tenha as mesmas motivações filosóficas que o levaram a este trabalho. Porém, essa "gana" que na época ele tinha pelo sua própria obra, sem dúvida se refletiu em composições que marcaram época e ficaram registradas como modelos do metal melódico, quase que de certa forma encerrando um ciclo dessa forma de fazer música (de certa forma, esse modelo à la Helloween minguou um pouco, curiosamente após os Avantasias).

Após pressionar o
play, Prelude inicia apresentando uma das melodias mais marcantes da cena metálica. É a melodia de Reach Out for the Light, que entra rasgando com uma guitarra em solo magistral, provavelmente de Henjo Richter. Depois em ritmo forte Tobias entra cantando até o bridge em coro. Aí, no refrão muda a voz e quem entra em cena é Michael Kiske. Cara, que incrível! Um dos melhores trechos de Kiske, que combina agressividade e leveza em um refrão de tom altíssimo e ao mesmo tempo soft. Essa música é um fenômeno, reconhecido pelo próprio Tobias atualmente.

Depois, em
Serpents in the Paradise, David DeFels e Sammet fazem um dueto de tirar o fôlego. Uma visão interessantíssima de Sammet, através da discussão de dois personagens centrais da história. A bateria é destaque nas mãos de Alex Holzwarth. Malleus Maleficarum é só pra dar um clima para Breaking Away que é uma música bem legal com um refrão que fica na cabeça. Apesar disso, é a "piorzinha" do álbum. Em Farewell, Gabriel (Tobias Sammet) diz adeus a sua irmã (Sharon den Adel), mais um dueto excelente e um refrão em coro que dá vontade de não parar de cantar. Uma balada de respeito como muito poucas. Então, o bicho pega em Glory of Rome em que Rob Rock, Oliver Hartmann e Ralf Zdiarstek tomam lugar para apresentar os personagens da "oposição". Ritmo alucinante, alternância perfeita e um refrão muito legal. É metal na veia com esses vocalista com um estilo mais tradicional.

In Nomini Patris introduz a faixa-título: Avantasia! Eu não sei de onde Tobias tirou a introdução dessa música que não parece com nada. Só sei que é muito bom. Música que carrega a expressa a descoberta do personagem com maestria. Um dueto sensacional de Tobias e Kiske, que entra na hora certíssima. E o refrão? Não tem como não dizer que é um dos mais marcantes e reconhecidos do metal moderno. Sem dúvida essa é uma canção que vai imortalizar Tobias Sammet por muito tempo. A New Dimension é mais uma introdução que sintetiza bem o sentimento do protagonista neste ato. Então, André Mattos (ou simplesmente Dedé) surge cantando em Inside. E quem faz o dueto com ele dessa vez? Ninguém menos que Kai Hansen. Ótimas escolhas para seus personagens, um elfo e um anão respectivamente, que apresentam a Gabriel o novo mundo em que ele acaba de entrar. É talvez mais uma balada que é quase uma capela. Uma graaande música, com muito bom-senso na escolha dos cantores, melodia muito legal e um ritmo mais que adequado ao momento.

Após a calmaria de
Inside o bicho pega com Sign of The Cross. Os teclados (a cargo do próprio Tobias) são um show a parte, em uma música com uma participação primorosa de Oliver Hartmann. Um bridge que é um grande slow down com Mr. Dedé e mais um refrão para os anais da história em um coro que é pra cantar todas as vezes com as mãos para o ar. Então, novamente os teclados dão o tom para The Tower. Puta que pariu e que começo! Nessa música quase todos participam principalmente no coro "Hallelujah!". Grandes participações (principalmente de M. Kiske) e mais um refrão sensacional. Eu não me canso de ouvir e me surpreender com essa canção que acaba (na versão original) esse álbum com maestria.

Pois é. É muito difícil resumir em palavras músicas tão boas e tão marcantes como as que Tobias trouxe neste trabalho. Praticamente todas teriam potencial a ser clássico em qualquer álbum de qualquer banda. É uma síntese (completa em termos qualitativos) de tudo o que o metal melódico tem em termos de arranjos, harmonia, estilos de canto, solos, etc. Uma crítica? A capa é meio estranha, e só. De resto, é o melhor, do melhor pelos melhores.


Avantasia!


PS: A data em que escrevi este texto não é a toa. Exatamento 8 dias antes da primeira, e muito provavelmente única, apresentação do Avantasia em São Paulo. Sem dúvida, há de ser um dia histórico!

PS2: O Avantasia part II ainda reservava mais uma música épica. A primeira, The Seven Angels merece ser lembrada, porque sem dúvida é mais um grande fenômeno que Tobias fez sob o nome de Avantasia. O resto é bem legal, mas não chega nem perto da genialidade das músicas aqui descritas e dessa que com efeito pode ser considerada uma das melhores (se não, a melhor) músicas que já ouvi na vida.


PS3; É isso, chega! Quem sabe depois eu falo dos dez piores? hehehe...

terça-feira, 10 de junho de 2008

[The best albums] - O que faltou ?

Essa lista de melhores álbuns não foi fácil de produzir. Por mais que alguns álbuns por aí se destaquem, tem muita coisa boa mundo afora, e é de certa forma triste deixar algumas coisas de fora. Também, não é o fato de uma banda não estar na lista que necessariamente ela é pior que outras que estejam. Até porque, muitas bandas fazem músicas excelentes, mas que estão espalhadas entre os vários álbuns, e nenhum deles tem uma concentração muito significativa.

Exemplo disso é o Iron Maiden, que tem um trabalho excelente em vários álbuns, e apesar de ter alguns destaques como Seventh Son of a Seventh Son e o Fear of the Dark, ainda assim esses estiveram um pouco longe dessa lista. Quem esteve perto foi o Sonata Arctica! Caras, que banda! Esses, fizeram grandes trabalhos que eu fiquei bem triste de não incluir como o recente Unia, o genial Reckoning Night e o extremamente baladeiro mas com "pancadas" históricas: Winterheart's Guild.

E o que dizer então do Edguy e seus Mandrake e Hellfire Club, que sem dúvida nenhuma, alavancaram a banda com músicas para vários gostos. Isso sem citar o EP Superheroes, que com certeza só não está aqui porque não é álbum. Se eles colocassem umas duas musiquinhas a mais e o promovessem a álbum, certamente pintaria no top five (ouvindo agora Spookies in the Attics....do caralho!).

Não posso me esquecer do apoteótico Manowar e seu Kings of Metal, que sem dúvida mereceria também aparecer por aqui. O Nightwish e o seu já mencionado Dark Passion Play ou mesmo os históricos Wishmaster e Once. Outro que chegou bem perto foi o injustiçado e incompreendido Stairway to Fairyland do Freedom Call. Muito se engana aquele que acha que é um álbum de power metal pasteurizado. É sim uma fórmula única que eles encontraram e que concretizaram com músicas geninais como We are One, Graceland, Shine On e Over the Rainbow.

Alguns álbuns de bandas que estiveram por aqui também fizeram falta e chegaram perto: Razamanaz (Nazareth), Better than Raw (Helloween), Rebirth, Fireworks e Angels Cry (Angra), Nightfall in middle earth e A night at the Opera (Blind Guardian), Land of the Free e Power Plant (Gamma Ray), Dawn of Victory e Power of the Dragonflame (Rhapsody). Todos recheados de clássicos e músicas que fazem chorar, levam ao êxtase ou simplesmente fazem pensar.

Já ouvi dizer que a música é a arte invejada por todas as outras, e eu acho que isso faz muito sentido. A música tem um poder espiritual, transformador, comunicativo e expressivo imenso. É uma arte que tem a incrível capacidade de se reinventar, de se combinar e evoluir com o tempo. E a música popular tem mostrado que tem muita coisa boa nova pra se ouvir, que falam pro espírito e para o corpo, sem passar pelo crivo da crítica enjoada e presa no século passado ou retrasado. A despeito da crescente e nostálgica retórica de que só se fazia música boa antigamente, que as músicas de hoje são só imitações das de antigamente, ou também do pseudo-intelectualismo (a lá Veja) de que a música só é passível de análises exatas, matemáticas e frias para determinar sua qualidade.

É claro que pra mim o negócio é power metal. A Veja, o Bóris Casoy, o presidente, o papa, qualquer um pode falar que isso é ruim que eu não me importo. Esse tipo de música tem a rara capacidade de tornar minha vida melhor e eu sou muito grato a todos aqueles que com muito mais do que bom senso e técnica conseguem produzir arte que tem tamanho poder transformador. Pode até ser que eu deixe de gostar desse tipo de música, que a produção realmente diminua de qualidade. Porém, eu estou certo de que os estilos, as bandas, o mercado e o mundo se transformarão e continuarão a combinar sons e falar de alma para alma, e certamente continuar a tornar melhor a vida de muita gente, e a minha também.

Well...soon will come the first one!

Os mestres em ação: Judas at the Opera! (Se puder, preste atenção na letra...)

sábado, 24 de maio de 2008

[The best albums] - 2º Imaginations from the other side (Blind Guardian)

A despeito de toda a crítica em torno da temática baseada em histórias de fantasia medieval das bandas de power metal, eu acho que esses temas fornecem material muito rico para a música. O Blind Guardian não só é a banda que leva isso mais a sério como também foi praticamente a pioneira a trazer nas letras de suas músicas temas de histórias conhecidas. O resultado desse pioneirismo é um estilo de música singular, peculiar à banda, que ao longo do tempo teve grande evolução e encontrou o seu ápice nesse lançamento de 1995.

Em Imaginations from the other side a banda decidiu celebrar sua maturidade musical com uma reflexão exatamente sobre isso: a influência e o valor de histórias de fantasia em suas vidas. E a fórmula para isso foi homenagear as principais e mais marcantes histórias da literatura. Tudo isso sintetizado magistralmente na faixa-título que inicia o álbum. Peter Pan, O Senhor dos Anéis, Rei Arthur e os Cavaleiros da távola redonda, Alice no País das Maravilhas entre outras histórias são citadas pra demonstrar o quanto personagens tão ricos ficam marcados em nossas mentes, mesmo depois de acabarmos de acompanhar suas sagas. É uma canção que mais do que falar sobre isso, encarna o espírito daquilo que é cantado insanamente por Hansi Kursch. Muitos backing vocals, ritmos lentos e mais rápidos alternados e um refrão pra cantar com os punhos erguidos.

I'm alive dá seqüência com um estilão mais às antigas. Bumbo duplo, "mão na caixa" em um ritmo alucinante. Essa música apresenta duas características que são marcantes e muito específicas no Blind Guardian. Uma quebrada de ritmo no bridge que é sensacional, e um refrão quase interminável que vai se "alargando". E olha que essa é uma das "piorzinhas" do álbum. A past and future secret é mais uma daquelas canções, também peculiares ao BG, que é feita para os bardos canterem nas tavernas. Velas ao vento em uma canção muito bonita, provavelmente contando algo sobre a história de Kamelot.

Então, eles decidem falar mais um pouco dessa história, sob uma ótica mais "real". The script for my réquiem é provavelmente a melhor música do BG, em uma performance apoteótica de Hansi Kursch no vocal. Um ritmo alucinante e um refrão inesquecível e marcante. Eu tinha uma idéia equivocada sobre a letra dessa música. Aparentemente é a visão dos cruzados em busca do santo graal, descrita de uma forma bastante espiritualizada.

Falei em personagens ricos? Modred, nascido do seio de um amor impossível, entre inveja e ódio. Tem que ser muito bom para fazer uma canção digna desse personagem. Eles conseguem a proeza, em uma balada com um refrão "de chorar": Modred's Song.

Born in a mourning hall
é mais uma pancada, extremamente rápida, bateria e guitarras inspiradas. Bright Eyes fala (provavelmente) novamente sobre Modred. É também muito bonita e carregada de feeling, e, apesar disto, ainda se junta a I'm alive como uma das "fraquinhas". Em Another Holy War eles decidem falar sobre o fanatismo religioso. Aquele tipo de música rápida, que consegue um efeito que eu só vejo no power metal. Que é uma bateria tão rápida, que ela fica como um tapete (ou um pano de fundo) para a melodia, que desfila em cima da bateria "mão na caixa". Quebrada no refrão, backing vocals e tudo que uma música do BG merece.

Sabe aquela sensação de quando vc acabou de acompanhar uma história muito boa? Quando dá vontade de esquecer tudo q vc leu e começar a ler de novo? Pois é, eles conseguiram "enfiar" isso em uma música, que me dá arrepio só de pensar. And the Story Ends é uma obra-prima que fala sobre o aparente fim das histórias, do álbum, de coisas boas na vida. É indescritível e um final primoroso para esse grande trabalho.

Um álbum que consegue primorosamente encarnar um dos sentimentos mais legais na vida, não poderia dar em outra: 2º lugar pra ele! Obra obrigatória para qualquer amante do heavy metal e de histórias de fantasia medieval.

And the Story Ends...

quinta-feira, 15 de maio de 2008

[The best albums] - 3º Keeper of the seven keys part. II (Helloween)

Por mais que muitos queiram, entrar para a história é coisa para poucos. E, com esse trabalho (e o anterior), o Helloween é um dos poucos no meio do heavy metal que conseguiu deixar sua marca para o estilo.

Muito se engana aquele que pensa que é um exagero. Mesmo que aqui no Brasil a banda não seja uma das mais famosas quando se fala de rock'n'roll, quando o assunto é heavy metal se aproxima da unanimidade. Além disso, na Europa, principalmente na Alemanha, onde eles são muito mais que só mais uma banda de heavy metal. E mesmo aqui no Brasil, poucas são as bandas do estilo que conseguem quase unanimidade de apreço entre aqueles que curtem o estilo, e mesmo entre alguns que mal o conhecem. Com essas características, eu só conheço o Iron Maiden que, convenhamos, é o Iron Maiden.


Tudo isso, fruto dos trabalhos sob a alcunha Keeper of the seven keys. Quando Kai Hansen e Michael Weikath chamaram, sem dúvida alguma em um período de bem-aventurança, o garoto Michael Kiske para os vocais, viabilizaram a produção de um trabalho que conseguiu explorar ao máximo um estilo com o qual eles já flertavam no álbum anterior (Walls of Jericho). Por fim, decidiram separá-lo em dois, já que era coisa boa demais para um álbum só. E, apesar de o primeiro de 1987 ser excelente, deixaram o melhor para o segundo. Um desfile de clássicos, verdadeiras aulas de heavy metal que viriam a inspirar e ainda inspirarão gerações.

Invitation é um nome perfeito para o começo. Literalmente convoca o ouvinte para o show em um estilo a la desfile cívico estado-unidense. Na rabeira, Eagle Fly Free já mostra de cara a cara do que é o Power Metal. Bumbo duplo e um ritmo de voz que descamba em um refrão de tom altíssimo e melodia grudenta. Um marco na música moderna, com uma atuação primorosa de Kiske.

You always walk alone é a tentativa de nosso amigo Kiske de marcar presença na composição. Não consegue, por sorte o cara canta pra burro (tentarei a partir de agora parar de elogiar a performance vocal do cara, a menos que isso seja imprescindível), não é uma música ruim, mas é totalmente dispensável. Rise and Fall é o "Happy Helloween" que faria tanto sucesso, um refrão muito gostoso.

Dr. Stein é mais um super clássico. Uma história divertidíssima, muito bem contada, em uma música que abre várias alternativas vocais diferentes e muito boas. Eu não me canso de ouvi-la e cantar um dos refrãos mais incríveis que tem. We Got the Right é uma baladinha mais ou menos, em que Kiske exagera nos tons altos. Chega a ser cansativo.

Save Us
é uma música bem legal, com backing vocals muito bem colocados e um ritmo diferente. March of Time é "só" mais um fenômeno. E agora, não dá pra omitir a presença vocal marcante e emocionante de Michael Kiske, acompanhado dos backing vocals, canta um refrão daqueles que dá vontade de levantar as mãos pros céus. Não à toa é uma reflexão simplista (mas não reducionista) sobre vida e morte, e passa a idéia com uma maestria raríssima.

Quantos clássicos eu já citei? Pois é, talvez o maior deles seja
I Want Out, quase um hino reacionário aos modelos ortodoxos educacionais e culturais e aos padrões politicamente corretos. Guitarras sensacionais, ritmo quebrado, é alegria certa em qualquer show de metal. Nunca vi alguém que não gostasse dessa música.

Keeper of the Seven Keys fecha a "trilogia" com chave de ouro. Aliás, com SETE chaves de ouro. Uma balada crescente de nada menos que 13 minutos e poucos que não cansa. Refrão marcante e histórico em uma canção épica, e sem dúvida um referência para todas as outras de mesmo adjetivo.

O auge de uma banda é quando ela consegue reunir um grupo de compositores no ápice da inspiração e da vontade junto com músicos que fazem a diferença. Um trabalho que conseguiu reunir um vocalista indiscutivelmente diferenciado e com uma das maiores tecituras vocais da música popular que já vi (Michael Kiske), o pai do melódico/power metal e um dos melhores guitarristas do estilo (Kai Hansen), e um dos mais habilidosos e regulares compositores de "happy metal" (Michael Weikath) não poderia ser diferente. Essa reunião não voltaria a acontecer (integralmente) e provavelmente nunca mais acontecerá. Porém, é só dar uma olhada no que foi feito por esses caras depois desse trabalho para ver que o que fizeram junto não poderia ser só mais um bom trabalho.

Esse álbum é, definitivamente, um clássico, pioneiro e atemporal. Trabalho que continuará a arrebanhar fãs ao redor do mundo para o heavy metal e, claro, para o Helloween.

Clipe Tosco, mas divertido: I Want Out


Obs1: Como se não bastasse, ainda tem as b-sides Savage e Livin' ain't no Crime, que têm potencial para ser música de trabalho de qualquer banda, inclusive em muitos álbuns do próprio Helloween.

Obs2: Keeper II em 3º?? Carai....com o 2º até eu me surpreendi.

Obs3: Last but not least, Mr. Ingo
Schwichtenberg e Markus Grosskopf evidentemente fazem um grande trabalho e têm participação significativa no resultado final. Porém, inegavelmente, é a genialidade dos guitarristas e do vocalista que tornam o trabalho o que ele é.

terça-feira, 6 de maio de 2008

[The best albums] - 4º Temple of Shadows (Angra)

Colocar esse álbum em 4º lugar?? Sem dúvida, essa foi uma decisão muito difícil. Não porque devesse estar mais atrás, aliás pelo contrário, deveria estar mais à frente!! Por um bom tempo achei que seria o primeiro...

Poucos de bom-senso duvidam da qualidade musical dessa banda, que demonstrou desde cedo que tinha músicos e compositores diferenciados. E não somente pela fórmula "música brasileira + heavy metal", mas pela forma como fazem música, que demonstrou que era sim possível fazer um heavy metal muito bom tecnicamente, empolgante e que tivesse influências de música erudita e nacional.

Em 2004, após o estrondoso sucesso de Rebirth (2001) a nova formação não precisava provar nada pra ninguém. Com experiência e vontade de sobra estava tudo preparado para um grande trabalho. Una-se a isso a vontade de nosso amigo Rafael Bittencourt em empreender sua cruzada filosófica. O resultado é um álbum conceitual repleto de tudo o que o heavy metal é capaz de produzir de melhor.

Lembro-me que minha primeira audição foi imediatamente após receber o CD das mãos de Chico Bruce. Deus le volt entrou sorrateira e misteriosa, relutante em revelar o que viria a seguir. Às primeiras notas de Spread Your Fire eu estava certo de que estava diante de um clássico. O ritmo convulsivo, as guitarras em êxtase e o vocal agressivo de Edu em uma produção detalhista dão o tom. Um refrão inspiradíssimo em que o frontman e um coral duelam em uma melodia fantástica.

Angels and Demons vem com um ritmo diferente, guitarras e bateria bem sincronizados. A canção mantém o pique e abre-alas para Waiting Silence. Eu sinceramente não consigo qualificar essa música em palavras. Um início emocionante e poderoso, as guitarras definitivamente dão um show nessa música, que tem um refrão muito harmonioso e um bridge marcante. É emocionante do começo ao fim, se não é a melhor música que conheço, sem dúvida é uma delas...

A música de trabalho Wishing Well vem pra quebrar o ritmo. É uma boa balada, bem escrita e cantada por Edu. The temple of hate, apesar de ser a preferida pela maioria dos fãs, é só legalzinha pra mim. The Shadow Hunter tem a cara de um clássico. Com todo seu estilo progressivo, os vocais supreendentes de Edu, que explora as extremidades de sua tecitura vocal, sem dúvida é uma música épica, que explora vários ritmos musicais.

No Pain for the Dead é só uma boa balada com a também boa participação de Sabine Edelsbacher em um dueto muito legal com Falaschi. Winds of Destination tem a participação de ninguém menos que Hansi Kursch, que é o cara! E tem uma das estrofes mais legais que já vi no final. Simplesmente demais, música longa e magnífica com um final também emocionante.

Sprouts of Time é mais uma daquelas com muita influência de música brasileira, não chega a se destacar. Morning Star é bem legal, com um trabalho de percussão muito bem feito e várias influências musicais, e acaba bem legal tbm.

E quando já estamos mais do que satisfeitos com músicas e participações, o Angra apresenta Late Redemption. Um dueto em inglês, cantado por Eduardo Falaschi e português cantado por ninguém menos que Milton Nascimento. Sensacional!! É de se pensar, "de onde que os caras tiraram isso?". Como se não bastasse, é uma das músicas mais tr00l feeling que eu conheço. Uma das reflexões mais legítimas sobre vida e morte que já ouvi.

Gate XIII é o resumo final, que apresenta trechos de todas as melodias com arranjo de música clássica. Após a morte do protagonista na música anterior creio que Bittencourt usou esta instrumental pra demonstrar sua crença no ciclo da vida e como nada acaba, só recomeça. Reencarnação?? Pode ser, cada um vê como acha melhor. Talvez depois eu fale mais só sobre esse lado mais filosófico.

Eu disse que as resenhas seriam curtas né? Pois é, mas não dá. Esse álbum está gravado na história do metal e da música em geral. É uma obra-prima, pra colocar moldura, um vidro inquebrável e deixar na parede para o resto da vida e não esquecer jamais. Obrigado Angra!

Clássico!! Clássico!! Clássico!! Waiting Silence

"Old leaves will be falling
Old trees will remain
Whilrwind carries you away
For tomorrow be the same"
(Winds of Destination)